Uma viagem para o Jequitinhonha _ por Anizio P. de Souza

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Na semana passada 20/07/2015 a 25/07/2015 estivemos fazendo um trabalho comunitário no Vale do Jequitinhonha, MG, com um grupo chamado Curumim, do qual participamos a uns 15 anos, mas nunca tínhamos ido lá, sempre ajudamos  daqui mesmo trabalhando e fazendo campanhas de doação, sacolinhas, etc.

Quem nunca teve essa oportunidade e ouve que o Brasil é um pais sem fome ou que existe fome somente na África e acredita nisso não conhece nada da nossa realidade.

Um dos trabalhos realizados foi visitar algumas famílias com o intuito se saber se elas precisavam de ajuda Alimentação / roupas, etc,

Hoje esse grupo  ajuda mensalmente 100 famílias com cestas tamanho P, M ou G, de acordo com o tamanho de cada família, tem família com 1 filho e família com 10 filhos.

O intuito das visitas era verificar se essas novas famílias que estão solicitando as cestas se realmente precisam dela.

As cenas que presenciamos foram chocantes, num resumo:

– casas com aproximadamente 8 a 9 metros quadrados e a maioria são cedidas,

– banheiros não existem, usam o mato e folha de mato para se limparem,

– as casas não tem piso, os pisos são de terra, as paredes são de barro,

– camas só com estrado quebrado e uma folha de papelão  sem colchão, outras somente colchão tudo antigo e as vezes pedaços de colchão,

– comida em quase nenhuma delas tinham, olhávamos fogão, local onde poderia ter comida, etc, difícil mas esse era um dos nossos trabalhos.

– Lá não cresce nada porque não tem agua, tudo seco, algo impressionante, chuvas somente em novembro e dezembro quando vem.

– agua para beber / cozinhar etc quem tem cisterna colhe a agua da chuva e usa durante o ano ou até que acabe e as vezes a prefeitura leva um pouco com carro pipa.

– quando estávamos saindo da cidade para fazer as visitas encontramos caminhando vindo em sentido da cidade uma das mulheres que íamos visitar, ela tinha um bebe no colo e uma criança de uns 7 anos caminhando com ela, estavam indo na cidade levar a filha para fazer exame porque não estava passando bem,  já estavam caminhando a 2,30 horas, subindo e descendo morros.

Quando fomos na casa dela o carro quase não sobe de tão alto que eram os morros, imaginem a mulher a pé com criança no colo no sol intenso.

outra casa que visitamos tinha uma menina que estava fazendo aniversario, 4 anos, não tinha absolutamente nada, fomos até o carro e pegamos 3 pacotes de bolacha que levamos para comer no caminho já que saímos as 7 horas da manhã e não teríamos horário de retorno e demos para a menina. Ela ficou muito feliz.

Na saída a mãe dela disse que ela havia pedido um pacote de bolacha de presente, mas a mãe não tinha dinheiro e se tivesse teria que andar umas 3 horas só para ir até a cidade.

– outra casa que visitamos a mãe com um bebe de alguns meses e uma criança de 7 anos não tinha leite para o bebe, e não tinha porque não tinha comida para comer.

Na sua casa tinha apenas 1 pacote de 500gr de macarrão, um pacote pequeno de fubá com bicho e ia comer assim mesmo, um pouquinho de sal e 3 litros de leite que tinha ganhado, e isso deveria sustentar até setembro quando seu marido voltaria do trabalho de catar café aqui em São Paulo que é agora em julho / agosto e setembro, e o que ganhasse é que sustentaria eles até julho do ano que vem.

– outra casa o pai da família carregando lenha no mato caiu e enfiou na perna um pedaço de madeira. Como não tinha condições de andar até a cidade continuou trabalhando no meio do mato arrastando a perna por uns 3 meses para que pudesse ganhar alguma coisa para dar de comer para a família.

Quando conseguiu que um medico fosse lá ver ele e foram necessário cirurgias, já fez 5 (cinco) e ainda tem uma estimativa de mais 2 (duas) só para tirar a madeira que ficou dentro da sua perna, um pedaço que foi tirado tinha 13 (treze) centímetros, dá para a gente imaginar a dor diária dele?

– os outros exemplos tudo na mesma linha.

– uma situação extremamente difícil  para nós vermos imaginem para eles de viverem com isso.

– nossa visita era para ver se realmente precisavam de cestas básicas, caso hoje só conseguem  100 cestas básicas / mês para incluir essas novas famílias eles tem duas opções:

tirar alguma família que também está necessitada quase todas na mesma situação

ou conseguirem mais doações de cestas mensais.

Tão lamentável a situação que só vendo para ter esse choque que tivemos, dói no coração.

Esperar dos políticos? o prefeito/vereadores da cidade não querem nem saber do povo de lá então só depende de nós mesmos.

Se alguém quiser olhar o site do grupo que participamos é o

www.jequitinhonha.org.br

Se alguém tiver sugestão de como podemos fazer para ajudar será bem vindo.

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