Crescer fazendo Crescer

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O grande poeta, compositor e cantor Chico Buarque dizia em uma de suas canções com muita propriedade: “tem dia que a gente se sente como quem partiu ou morreu”.
Não raro, esses dias nos acontecem sem causa aparente. Está tudo correndo bem, os problemas estão relativamente administrados, no entanto, há um nó, algo que nos amarra, inquieta, amargura.

Se olharmos mais atentamente, poderemos descobrir que estes dias, longe de ser motivo de frustração ou desespero, podem transformar-se em uma porta de entrada para uma vida melhor. Passados os primeiros momentos, em que procuramos respostas mágicas que a nada respondem, vem a pergunta: mas, o que podemos fazer? Esta não é uma pergunta muito fácil de se responder, mas há algo que podemos fazer e que não é tão difícil. A palavra está meio batida, mas na falta de outra, vai ela mesma: doação, modernamente chamada de trabalho voluntário.

Muito se tem falado sobre esse tema, mas pouco se diz a respeito dos resultados para quem o pratica.

Quando fazemos um trabalho voluntário, o mais comum é pensarmos que estamos fazendo algo para o outro que é mais carente do que nós. Mas, observando mais atentamente, veremos que os maiores beneficiados somos nós mesmos. Se buscarmos na memória alguma ocasião em que praticamos uma boa ação, com certeza nos lembraremos de como ficamos com o coração mais leve ou com uma indefinível sensação de bem estar.

Este é um sentimento encontrado com regularidade por muitos que participam do Projeto Curumim. Somos pessoas comuns, às vezes com dias longos e difíceis, mas que num dado momento, resolveram mudar um pouco o rumo de suas vidas.

A princípio, como era de se esperar, tínhamos a ilusão de que iríamos ajudar as pessoas carentes do Vale do Jequitinhonha. Mas, chegando lá, que surpresa! Como explicar a alegria que experimentamos, ao ver todas aquelas crianças que quase não têm o que comer, expressar-se tão lindamente através de uma dança, uma música ou uma apresentação teatral?

Como não nos emocionar com aquelas jovens mulheres fazendo com dedicação seus trabalhos na Oficina de Bordado e Costura? Como não compartilhar a alegria daqueles jovens, que numa precária Oficina de Informática conseguiram ter noções básicas de digitação, rotinas de escritório alguns fundamentos da língua inglesa e com isso conseguir seu primeiro emprego e começar uma vida diferente da de seus pais?

O Projeto Curumim tem crescido e se fortalecido ao longo destes dez anos. O trabalho voluntário do nosso grupo e a motivação de algumas pessoas é que o impulsiona e o faz ir em frente e esparramar seus frutos.

E é olhando para estes frutos, para esta vontade de crescer, que acabamos entendendo que “nos dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”, a saída é arregaçar as mangas e batalhar pelo Projeto Curumim, pelas crianças, pelos jovens, pelos homens pelas mulheres do Vale do Jequitinhonha. É trabalhar voluntariamente para esta causa, que nos dá a maior remuneração que podemos esperar: a certeza de que só crescemos interiormente, quando fazemos o outro crescer. Não há nada que supere a alegria e a paz de espírito advindas da ação em favor daqueles que sofrem infinitamente mais do que nós.

Lídia Calisto

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