Filosofia Oriental

Compartilhe:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Google+Email this to someonePrint this page

Relendo o Bhagavad Gita (Canção do Senhor), cada vez mais percebo o abismo que existe entre o Eu e o ego.

Creio que a maior dificuldade dos estudiosos de todas as épocas está em estabelecer as pontes para facilitar ao buscador esse tão grande empreendimento.

Os meios até então disponíveis não abrangem a realidade do ego, e não é muito difícil, as pessoas caírem nas armadilhas do ego, acreditando que já estão próximos do Eu.

Embora o Eu seja seu lado Divino, Superior, e faça parte da sua natureza ele permanecer em estado latente e consegue se expressar palidamente em alguns que já estão bastante adiantados no caminho.

É muito comum que pessoas que se dedicam as práticas de desenvolvimento técnico de certas energias para acelerar esse encontro, se esquecem completamente que paralelamente deve haver um treinamento e aprendizado constante para a aquisição de bens ético e morais, virtudes essenciais para estabelecer as bases seguras dessa ambiciosa empreitada.

É preciso adestrar a personalidade, conhecê-la em todos os seus aspectos e aprender não só domina-la, mas submete-la e transforma-la com a aplicação dos opostos, mas o que se tem feito até hoje é reprimi-la, sufoca-la e até negar-lhe a existência, como alguns autores o fazem com tanta maestria.

Admitir a existência do ego como parte inerente ao seu ser pode evitar a alienação, esquizofrenia e tantos outros distúrbios psíquicos, só é possível acessar o Eu pelo ego, não ignorando sua existência.

Talvez por esses equívocos produziram gerações de seres iludidos com a premissa de se tornarem iluminados pelo simples fato de se locupletarem de teorias sem a mínima base de vivencia, como se o intelecto fosse suficiente para leva-los ao Eu.
Gerações e gerações de seres continuam insistindo nesse posicionamento de “mestres” que continuam falando, ignorando o momento evolutivo dessa humanidade.

Os verdadeiros mestres nos informaram que os valores éticos, o fortalecimento da vontade, colocando nossas emoções no alto da transformação nos levará inevitavelmente a essa União.

Só se conhece o desapego através do apego, só se conquista a sabedoria quando se percebe a ignorância, só chegamos ao amor pela sublimação da paixão, as polaridades fazem parte de tudo, sem elas se cai na inércia.

Quando se tem como objetivo alcançar o Eu, aprenda primeiro a admitir suas fraquezas (ego) e ao conhecê-las iniciar então todo o caminho que te levará à auto realização.

Coloque uma trégua nessa guerra de teorias, e aprenda a se conhecer, se aceitar nas suas deficiências, não se puna nem se sinta culpado, cada um age pelas próprias referencias e as experiências diárias com o desejo de se melhorar vai diminuindo a distancia, abrindo pontes de comunicação com o Eu.

Aos poucos esse abismo onde muitos se perdem terá condições de guiar os seres de bem a alcançar esse tão nobre objetivo.

Por enquanto, vamos convivendo com as misérias humanas, pois não estamos reclusos nos Himalaias, mas chafurdados na lama do sofrimento alheio,
agindo como podemos para melhorar esse quadro.

Sem a ilusão de que a iluminação nos levará ao Nirvana sem que antes passemos pelas experiências tão humanas e necessárias para a morte do ego.

Como Buda disse uma vez perguntado sobre os desejos, respondeu:

” Eu desejo não ter desejos.”

Ieda Garcia – Jan 2015

 

 

Comente:

Deixe uma resposta