Homem x Máquina

Homem x Máquina

Por Ieda

Nas áreas mais remotas do planeta, do Polo Norte ao Sul, nas tribos, agrupamentos, comunidades em aldeias, todos quase sem exceção já estão conectadas as redes sociais.

Imaginem a repercussão da informação chegando em culturas de tradições milenares com práticas, superstições, rituais que fogem a compreensão de qualquer cidadão que vive nas concentrações de populações pelo mundo afora.

O impacto que isso causa no seu modus vivendi o choque cultural com sua realidade primitiva, mas que agrega valores incalculáveis com relação a sua identidade e a relação com a natureza e seu grupo.

Conectados com suas necessidades básicas de sobrevivência são invadidos por outros valores, parâmetros que desestruturam suas bases colocando-os a margem uma realidade virtual que os afasta do contato mais íntimos com os membros do seu grupo.

Enquanto na selva de pedra homens perambulam pelas ruas, no ambiente de trabalho, dirigindo seus veículos, dentro de restaurantes ou no lar ficando cada dia mais distantes do contato social, os encontros sociais, amizades, relacionamentos afetivos se transformaram em selfies, postagens, mensagens….

A informática, a tecnologia avançada está tirando os indivíduos de si mesmo os jogando na globalização das informações que não acrescentam em nada no seu crescimento pessoal.

O Facebook, Instagram e outras redes envolvem individuo numa trama de exposição e egocentrismo nunca visto antes.

As novas tecnologias conseguiram aproximar os povos, mas não diminuíram a violência, as guerras e a luta pelo poder.

País desatentos estão criando seus filhos distantes do contato físico, dos olhares, dos abraços, os cinco sentidos embotados aos poucos tirando os humanos da realidade física, concreta, a indiferença pela dor humana, a insensibilidade, o descaso são marcas profundas dessa sociedade virtual.

As horas de sono perdidas, as refeições canceladas, as conversas diretas com os amigos ou companheiros tornaram-se uma exceção. Trocando-se tudo isso por prazeres não sensoriais, mas virtuais.

O distanciamento do corpo físico torna as pessoas distraídas, desatentas, fragmentadas não se situam em suas próprias vidas porque estão “curtindo” a vida de outras pessoas que não tem nada de real, e ao se distanciarem de si não conseguem se localizar no mundo em que estão.

Os homens precisam recuperar sua humanidade e reatar os laços com pessoas de carne e osso, você pode conhecer e se relacionar com pessoas do mundo todo, mas quando precisar que alguém te faça uma sopa ou curativo, não vai encontrar ninguém, pois estarão ocupados nas redes.

Lelivéldia, 02 de janeiro de 2020.

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