Sobre a Libertação dos Escravos

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Boa parte das pessoas detesta História.
É desnecessário argumentar que este desgosto pela disciplina advém de uma intenção secreta ou explícita das classes dominantes representadas por seus governantes de manter a população longe da História e do conhecimento. É mais fácil governar uma multidão de ignorantes do que um pequeno grupo de sábios.

Mas isso não vem muito ao caso. Gosto de imaginar o que teria acontecido no dia 13 de maio de 1888. Dia da libertação dos escravos no Brasil. Data muito comemorada, considerada, inclusive, feriado nacional até 15 de dezembro de 1930, quando foi revogada pelo então presidente Getulio Vargas. Imagino milhares de escravos saindo das fazendas gritando: somos livres, a Princesa nos redimiu. Os escravos livres já nas cidades, juntando-se à enorme população abolicionista comemorando com alegria incontrolável a promulgação da Lei Áurea, A lei de ouro.

Mui bela fantasia e de fato, é só fantasia. Para onde iriam os negros no dia 14 de maio de 1888? Poderiam permanecer nas fazendas de seus antigos senhores? Poderiam voltar para a África? Poderiam organizar-se num pedaço de terra e resgatar sua cultura e tradições massacradas nestes 300 anos de escravidão? Poderiam trabalhar como empregados livres ganhando salário, comprando uma casinha tendo uma vida familiar digna?

Infelizmente, a resposta a essas e outras perguntas que se possa fazer, é um sonoro “Não”. Não poderiam voltar para a África, nem organizar-se em quilombos e tão pouco trabalhar como empregados livres, uma vez que este posto já era ocupado pelo imigrante, e apesar da libertação, o negro continuava a ser escravo, desta vez, de dois Senhores ainda mais poderosos: o senhor Preconceito e a senhora Pobreza.

E assim, saíram os escravos livres de suas antigas “moradias”. Foram à procura de uma casa para se abrigar e uma terra para plantar. Nada encontraram. O que teriam feito ao final de algumas tardes, quando a alegria da liberdade já se transformara quase no amargor da escravidão?

Talvez, tivessem se aproximado de um pequeno rio e feito um casebre com materiais encontrados ali por perto. Talvez, tivessem construído o mesmo casebre nos arredores da cidade, onde com certeza, sempre sobraria uma migalha com que pudessem se alimentar. Ou talvez, quem sabe, por absoluta necessidade de sobrevivência, os negros “livres” tenham lançado os primeiros alicerces de uma das grandes chagas sociais: a primeira favela.

Texto de Lidia de Oliveira Calisto

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